sábado, 8 de novembro de 2014

Dicas de Educação Positiva


Do site: http://www.naobataeduque.org.br/problemas/dicas-de-educacao
   
O que fazer quando os conflitos familiares se convertem numa constante e explodem por qualquer motivo? Como assumir e expressar raiva, medo, frustração ou tristeza, sem ter a impressão de colocar em risco o amor e a confiança? Como formar e educar as crianças sem recorrer ao castigo físico?
A resposta está em utilizar estratégias educativas que não utilizam a violência física e psicológica e que promovem o desenvolvimento físico, emocional e social dos filhos e filhas de forma saudável e participativa, o que chamamos de estratégias de educação positiva.

Educar não é nada fácil. Depois de um dia inteiro de problemas, mães e pais chegam em casa e precisam cuidar dos filhos. E as crianças querem atenção, nem sempre obedecem e pedem tudo. É muita pressão.
Nessa hora a palmada ou um tapinha de leve parecem uma boa ideia. Sem que a criança entenda direito, os mesmos pais que dão comida e beijinho de boa noite, de vez em quando aparecem com o chinelo na mão. Para não apanhar, as crianças passam a preferir a distância e o silêncio. Mentem para evitar brigas e escondem seus erros. Aos poucos, quase nada se resolve sem gritos ou ameaças. E o resultado disso é que as crianças, ao invés de respeitar os pais, ficam com medo deles.
Muitos pais apelam para a violência porque é comum acreditar que é a melhor forma de manter a autoridade e de proteger os filhos. Antigamente se achava que castigos físicos e humilhantes faziam parte da educação. Hoje, se sabe que não é bem assim. Existem formas carinhosas de educar que dão resultado. Reunimos aqui algumas dicas de educação que você pode aliar a estratégias específicas de educação positiva, para garantir ao seu filho um desenvolvimento pacífico, feliz e livre de violência.

1. Se acalme – Respire fundo antes de chamar a atenção de seu filho ou filha. Evite discutir os problemas enquanto estiver com raiva, porque nesses momentos podemos dizer coisas inadequadas para a aprendizagem das crianças, que podem magoá-las tanto quanto nos magoariam se fossem dirigidas a nós.

2. Sempre tente conversar com as crianças, mantendo abertos os canais de comunicação – Entender porque algo está acontecendo ao conversar com a criança é o primeiro passo para encontrarem a solução juntos.

3. Seja o exemplo - É preciso que você mantenha um comportamento que possa ser seguido pela criança. Por exemplo, beber suco diretamente da garrafa irá ensiná-lo que esse é um comportamento adequado. Assim como falar mal das pessoas depois de encontrá-las. Seu filho aprenderá muito mais com o seu exemplo do que com o que você diz a ele sobre o que é certo ou errado.
Isso vale também para os pequenos atos de higiene do cotidiano: escovar os dentes, lavar as mãos antes de comer, etc. É mais fácil para a criança criar e manter essa rotina se você também a realiza.

4. Jamais recorra a tapas, insultos ou palavrões – Como adultos não queremos ser tratados assim quando cometemos um erro. Então não devemos agir assim com nossos filhos. Devemos tratá-los da maneira respeitosa como esperamos ser tratados por nossos colegas, amigos ou pessoas da família, quando nos equivocamos. Precisamos compreender que as crianças são seres humanos como nós adultos.

5. Não deixe que a raiva ou o stress acumulados por outras razões se manifestem nas discussões com seus filhos – Seja justo e não espere que as crianças se responsabilizem por coisas que não lhes dizem respeito.

6. Converse sentado, somente com os envolvidos na discussão – Isso contribui para uma melhor comunicação. Mantenha a calma e um tom de voz baixo, segure as mãos enquanto conversam. Ocontato físico afetuoso ajuda a gerar maior confiança entre pais e filhos e acalma as crianças.

7. Considere as opiniões e ideias dos seus filhos – Muitas vezes as explicações sobre o ocorrido não são nem escutadas pelos pais. É importante ouvir o que as crianças têm a dizer. Tome decisões junto com eles, comprometendo-os com os resultados esperados. Se o acordo funcionar, dê parabéns. Se não funcionar, avaliem juntos o que aconteceu para melhorarem da próxima vez. A conversa é fundamental.

8. Valorize e elogie as atitudes positivas – Ela colocou a roupa suja no cesto de roupas, fez um desenho para você, amarrou o calçado sozinha ou colocou no lugar algo que você pediu? Elogie. Todas essas pequenas coisas são frutos de um esforço da criança, e o elogio é um estímulo.

9. Busque expressar de forma clara quais são os comportamentos que não gosta e te aborrecem – Explique o motivo de suas decisões e ajude as crianças a entendê-las e cumpri-las. As regras precisam ser claras e coerentes para que as crianças possam assimilá-las.

10. “Prevenir é melhor do que remediar, sempre” - Criar espaços de diálogo com as crianças desde pequenos colabora para que dúvidas e problemas sejam solucionados antes dos conflitos. Integrá-las nas atividades do dia a dia evita que tentem chamar a atenção de outras formas.
Se precisa fazer compras e terá que levar seu filho pequeno, você pode deixá-lo ajudar nas compras, conversando com ele sobre o que está comprando. Peça para ele falar o que acha de um determinado produto. Se for uma criança mais velha, ela pode ter maior mobilidade e ir pegar outros produtos enquanto você está em outro setor do supermercado.

11. Peça desculpas, todos erramos Caso tenha errado e se arrependido, peça desculpas às crianças. Elas aprendem mais com os exemplos que vivenciam do que com os nossos discursos.

12. Procure compreender a criança e saber o que esperar dela – Uma criança de um ano e meio já consegue se alimentar sozinha e este é um comportamento que deve ser estimulado pelos pais e educadores. Mas é preciso paciência e, ao invés de se irritarem com a possível “lambança” que a criança irá fazer, estimule-a a se alimentar por conta própria. Plástico ou jornais embaixo da cadeira que a criança está comendo torna mais fácil a limpeza do local depois da refeição.

13. Deixe as consequências naturais do comportamento inadequado acontecerem ou aplique consequências lógicas – Consequência natural: a criança está brincando de maneira violenta com seus brinquedos. Você a avisa que ele pode se quebrar, mas ela continua a brincar da mesma maneira até que ele finalmente se quebra. Logo em seguida ela pede para você comprar outro. Neste momento, você deve relembrá-la do aviso que lhe foi oferecido e negociar com ela esta nova compra.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Educação sem violência



Quer mesmo investir na educação e bem estar do seu filho e de toda a família? Comece parando uns poucos minutos para entender o que é a Educação Positiva!

Do excelente blog Cientista que virou mãe:



Educação sem violência. Porque bater não é educar...


Bater em uma criança é aceitável

O que está por trás do ato de dar uma palmada?
O que isso diz sobre a criação de quem bate?
O que é ensinado às crianças quando se usa de violência física contra elas?
Por que alguns pais ainda batem em seus filhos?
O que as pesquisas têm mostrado sobre a suposta "eficácia" das palmadas como método de disciplina?
Existir uma lei que criminalize as palmadas é suficiente?
Que tipo de abordagem é melhor quando se deseja ensinar aos pais formas mais respeitosas e amorosas de disciplinar os filhos? E em que época da vida é mais favorável ensinar aos pais essas estratégias não violentas de educação?
Qual o paralelo existente entre a legislação canadense e a situação brasileira?
O que dizem as pesquisas dos últimos vinte anos sobre as consequências da punição física infantil?


No ano passado (2012), pesquisadores canadenses analisaram os resultados das pesquisas sobre castigos físicos infantis realizadas nos últimos vinte anos e divulgaram os achados no artigo intitulado "O castigo físico de crianças: lições dos últimos 20 anos de pesquisa", publicado no periódico científico CMAJ - Canadian Medical Association Journal . Os resultados da pesquisa, então, inspiraram o editor da revista a redigir um editorial especificamente sobre o tema, com comentários instigantes que estimulam a reflexão.
Eu e a neurocientista Andreia Mortensen, professora da Drexel University College of Medicine - ambas mães, pesquisadoras e ativistas pelo respeito à infância, radicalmente contra o uso de punições físicas e emocionais contra as crianças - traduzimos, então, o editorial e publicamos hoje aqui.
Nosso objetivo é estimular a contínua discussão sobre o tema e mostrar que, ao contrário do que alguns ainda dizem, a punição física não é o melhor método para disciplinar uma criança. E que, além disso, traz consigo uma série de más consequências com as quais as crianças precisarão conviver em idade adulta, além da perpetuação de práticas violentas. 
Para além de condenar as palmadas e surras, queremos estimular o debate sobre de que forma pode-se ensinar a uma geração de pais -que foi criada em meio a um discurso coletivo de aceitação do castigo físico - que existem formas mais respeitosas, amorosas, saudáveis, humanas e cientificamente mais eficazes de educar nossos filhos.

Diga sim à disciplina positiva e não à punição física!(Positive parenting, not physical punishment)
John Fletcher, Editor

Publicado no periódico científico CMAJ –Canadian Medical Association Journal
Tradução: Dra. Ligia Moreiras Sena
Revisão: Dra. Andreia Mortensen

Dar palmadas é errado?

Obviamente, bater em qualquer pessoa em momentos de raiva ou quando faltam argumentos é um mau comportamento. Bater em criança é dar um mau exemplo e ensiná-la que a violência é uma forma de conseguir aquilo que se deseja. E o que dizer então quando palmadas são dadas como forma de impor limites e disciplinar?

Muitos pais tem interesse nessa questão.  Afinal, pais que usam de punição física são maus pais?

Se sim, então eles estão na companhia de cerca de 90% dos pais da minha geração (1), incluindo 70% dos médicos de família e 60% dos pediatras que consideram as palmadas em crianças aceitáveis em certas circunstâncias (2). Nos EUA, a proporção de pais que batem em suas crianças atualmente ainda é alta, quase 50% (3).Muitos pais afirmam que um bom tapa os ensinou o que é certo e errado e que, portanto, as palmadas são válidas para ensinar bom comportamento.

Os opositores do castigo físico argumentam que as crianças têm o direito de serem protegidas contra agressões físicas. Alguns afirmam que a punição física é, inevitavelmente, uma forma de violência, e que as palmadas também devem ser classificadas como crime e que pais deveriam ser processados por punir as crianças dessa maneira.
Esse debate é tão fervoroso e já dura tanto tempo, que a questão sobre se a palmada é moralmente “certa ou errada” nunca chegará a um consenso. Parece ser mais promissor, entretanto, investigar se as palmadas são realmente eficazes.

Nesse contexto, entra então uma meta-análise realizada pelos pesquisadores Durrant e Ensom (4), que analisaram pesquisas feitas nos últimos vinte anos sobre o tema. Os resultados sugerem que a punição física em crianças está associada ao aumento dos níveis de agressão infantil, além de não ser mais efetivo em estimular a obediência quando comparado a outros métodos. Além disso, a punição física durante a infância está associada a problemas de comportamento na vida adulta, incluindo depressão, tristeza, ansiedade, sentimentos de melancolia, uso de drogas e álcool, e desajuste psicológico geral.  O artigo pode parecer inclinado a uma direção em particular, mas isso acontece justamente porque existem mais evidências que apoiam este ponto de vista do que sugerindo que a punição física seja benéfica.

Os defensores da palmada podem argumentar que isso depende da intensidade e frequência de palmadas, sugerindo que as palmadas são benéficas quando não utilizadas em excesso. Pode ser possível, mas sempre me pareceu que as pessoas que usam essa linha de raciocínio, diante das claras evidências de danos das palmadas, estão mais tentando justificar seus próprios atos do que enfrentando a possibilidade de que estejam erradas.

Como existe pouca evidência sobre sua efetividade e, por outro lado, um crescente número de evidências mostrando que causam prejuízos, as palmadas devem ser criminalizadas e os tribunais devem chamar a atenção dos pais por utilizarem esta forma de disciplina? Já houve um debate fervoroso sobre esse assunto em nosso website, em resposta ao artigo de Durrant e Ensom. Mas muitos pais, incluindo aqueles que batem nos seus filhos, realmente os amam e estão tentando ser bons pais. Se o objetivo é melhorar a forma de disciplina, então chamar a polícia é a abordagem errada.
O que deve ser feito é reeducar os pais sobre como disciplinar suas crianças. Simplesmente desencorajar a punição física não é suficiente. Sem alternativas, os pais que cresceram apanhando e que disciplinam com palmadas podem simplesmente substituí-las por gritos ou outras formas de punição. Como ensinar a toda uma geração de pais formas melhores de disciplinar seus filhos?
Cursos para pais têm feito sucesso em ensinar técnicas de disciplina positiva. Considerando que uma grande porção da população precisa ser ensinada, a educação precisa ir além das famílias com problemas evidentes. Esses programas devem ser oferecidos amplamente, talvez juntamente com o pré-natal ou quando a criança está prestes a entrar na escola, épocas nas quais os pais estão vivendo mudanças e são mais receptivos à educação.
Entretanto, não são apenas os pais que precisam mudar, a lei precisa ser modificada também. Embora não seja necessário criminalizar a palmada para encorajar formas alternativas de disciplina, a seção 43 do Código Criminal Canadense (6) apresenta mensagem equivocada ao afirmar que “...pais ou mães podem usar a força física como forma de correção... a não ser que a força exceda o razoável, dadas as circunstâncias”.
(comentário da revisora: afinal QUAL é a medida razoável de força física que pode ser aplicada nas palmadas?)
Os policiais têm autonomia para decidir quando a agressão ‘passou do ponto’ ou não, tanto no caso de crianças quanto de adultos. Mas, obviamente, a tendência deveria ser a de proteger a criança, que é o lado mais vulnerável. Ter um código específico que permita aos pais bater nelas como forma de disciplina é sugerir que a agressão por um dos pais é normal e aceitável da educação das crianças. E não é. Então, enquanto a seção 43 permanecer na lei, isso servirá como desculpa constante para que os pais continuem utilizando e acreditando em um método ineficaz para disciplinar crianças, embora abordagens melhores existam.Já passou da hora do Canadá retirar de seus estatutos essa desculpa ultrapassada e ineficaz de disciplina.


Referências:
1.  Straus MA, Stewart JH. Corporal punishment by American parents: national data on prevalence, chronicity, severity, and duration, in relation to child, and family characteristics. Clin Child Fam Psychol Rev 1999;2:55–70.
2. McCormick KF. Attitudes of primary care physicians toward corporal punishment. JAMA 1992;267:3161–5.
3. MacKenzie MJ, Nicklas E, Brooks-Gunn J, et al. Who spanks infants and toddlers? Evidence from the fragile families and child well-being study. Child Youth Serv Rev 2011;33:1364–73.
4. Durrant J, Ensom R. Physical punishment of children: lessons from 20 years of research. CMAJ 2012;184:1373–6.
5. Barlow J, Smailagic N, Ferriter M, et al. Group-based parent-training programmes for improving emotional and behavioural adjustment in children from birth to three years old. Cochrane Database Syst Rev 2010;(3):CD003680.
6.   Barnett L. The “spanking” law: section 43 of the Criminal Code. Ottawa (ON): Parliament of Canada; 2008. Available: www.parl.gc.ca/content/LOP/ResearchPublications/prb0510-e.htm (accessed 2012 June 26).


Aprender a usar estratégias amorosas e não violentas de educar nossos filhos é possível. Sempre.
Mas para isso precisamos QUERER, precisamos estar abertos, e, principalmente, reconhecer na criança o direito a ser amado e respeitado incondicionalmente.
Se você ainda dá palmadas em seus filhos apenas porque não conhece outras formas de discipliná-los, peça orientação a outras pessoas. Felizmente, hoje existem muitos grupos de mães, pais e profissionais dispostos a compartilhar suas experiências positivas, afetuosas e não violentas de criação de filhos.

Ninguém nasce sabendo ser pai e mãe, essa é uma tarefa que aprendemos enquanto somos, nas demandas cotidianas. Muito do que praticamos, muitas vezes trazemos de nossas experiências como filhos, mas sempre é possível mudar. Sempre é possível fazer diferente, se assim quisermos.

O que devemos é lembrar, sempre, que estamos criando novos seres, seres que precisam ser amados e respeitados, e cuja educação precisa ser empática e acolhedora, não violenta e opressora, se quisermos criar pessoas emocionalmente saudáveis, sem sequelas, sem amarras emocionais.

Dizer que uma criança só aprende na base da palmada é assumir a própria incapacidade de aprender novas estratégias de educação, de aprender estratégias que usem o amor.
É assumir que a violência é aceitável quando é com o outro, principalmente quando o outro é indefeso. É assumir que se é violento.

Uma criança que deixa de fazer algo porque apanhou não é uma criança que aprendeu algo. É uma criança com medo, assustada.

Uma criança que deixa de fazer algo porque alguém se dedicou a explicar a ela, amorosa e respeitosamente, as consequências de seus atos e escolhas, é uma criança que está sendo, de fato, preparada para a vida, que está sendo preparada para agir também assim no futuro.

Sem violência.

Que é, afinal de contas, o que todos queremos.

Um mundo menos violento. E mais amoroso.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Indicação de Livro: Educar sem violência



Indicação de um excelente livro:

EDUCAR SEM VIOLÊNCIA: CRIANDO FILHOS SEM PALMADAS

Autoras:
Ligia Moreiras Sena (autora do blog Cientista Que Virou Mãe)
Andréia Mortensen (moderadora da página Crescer Sem Violência)







Sinopse

Palmadas educam? Como disciplinar as crianças com amor e respeito, excluindo qualquer possibilidade de violência? Como mudar o estilo de cuidado parental e criar um ambiente amoroso? O que é ensinado às crianças quando se usa a violência contra elas? O que mostram as pesquisas dos últimos anos sobre as consequências da violência praticada por pais e cuidadores? De onde vem a agressividade parental? Por que as "birras" acontecem? Como corrigir os filhos adequadamente? Que tipo de vínculo você pretende criar com eles?
Alguns adultos dizem "eu apanhei e sobrevivi". Mas sobreviver é o bastante? Quebrar o ciclo da violência é possível?
Este livro responde a todas essas perguntas, feitas diariamente por milhares de famílias, em linguagem acessível, prática e objetiva, com depoimentos reais de mães. As causas e as consequências da violência parental contra a criança são discutidas pelas autoras com amor, afeto e ciência.


Sumário

PREFÁCIO
Daniel Becker


APRESENTAÇÃO: VAMOS CONVERSAR SOBRE EDUCAÇÃO SEM VIOLÊNCIA E DISCIPLINA POSITIVA?

1. A CRIANÇA É ESSENCIALMENTE BOA. ENTENDA SUAS FASES DE DESENVOLVIMENTO E OBTENHA FERRAMENTAS PARA EDUCAR

2. VÍNCULO: QUE TIPO DE LIGAÇÃO VOCÊ PRETENDE ESTABELECER COM SEUS FILHOS?

3. DIÁLOGO: USE SEM MODERAÇÃO. E NÃO SE ESQUEÇA DE PREPARAR A CASA

4. CORRIJA ADEQUADAMENTE: USE A RELAÇÃO "ERRO-CONSEQUÊNCIA" E NÃO "ERRO-PUNIÇÃO"

5. REFORÇOS POSITIVOS: UTILIZE-OS!

6. BIRRAS: POR QUE ACONTECEM? ENTENDER SUAS ORIGENS AJUDARÁ A LIDAR COM ELAS

7. COMO NÃO CRIAR UM BULLY

8. VAI DOER MAIS NELE QUE EM VOCÊ. SEMPRE

9. AGRESSIVIDADE PARENTAL: DE ONDE VEM? COMO RECONHECER SINAIS DE DESCONTROLE?

10. VIOLÊNCIA EMOCIONAL E RESILIÊNCIA

11. SOBREVIVER NÃO É O BASTANTE

12. NÃO TENHA MEDO: QUEBRE O CICLO!

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

9 benefícios da amamentação prolongada




9 benefícios da amamentação prolongada

Até quando devemos amamentar? Será que existe uma idade limite ou um momento em que o leite materno já não é mais benéfico para as crianças?

 

A amamentação é uma das experiências mais incríveis da maternidade e não há dúvidas sobre o quão importante ela é para a saúde do bebê. Mas até quando devemos amamentar? Será que existe uma idade limite ou um momento em que o leite materno já não é mais benéfico para as crianças?
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, a amamentação deve ser exclusiva até os 6 meses - o que significa que o bebê só deve receber leite materno até lá - e complementar até os 2 anos ou mais.
Sim, a recomendação é que o aleitamento materno siga até, pelo menos, os 2 anos de idade, em paralelo com a alimentação da criança, que deve ser rica e variada. Mas ele pode (e deve) prosseguir se mãe e filho desejarem.  
“Além de colo e aconchego, mamar deixava a Malú mais segura e também foi muito importante para a saúde dela”, conta Raquel Pedro, mãe de Maria Lúcia, de 4 anos. O desmame para as duas aconteceu de forma natural e tranquila, como parte do processo de crescimento da garotinha. “Com 3 anos e 2 meses, ela me disse que não queria mais mamar e que o peito seria agora só do Davi, seu irmão menor”, explica Raquel.
O ideal é mesmo que o desmame seja de forma natural, ou feito gentilmente através de conversas, quando a mãe achar que realmente é necessário parar antes da criança pedir.
Infelizmente, muitas vezes vemos pressões sociais para que a mulher pare de amamentar, ouvindo coisas como “essa criança é muito grande para mamar” ou “você está fazendo mal a ela”.
Mas a verdade é que manter a amamentação só traz benefícios para mãe e bebê. Confira 9 deles abaixo.

1. Nutrição
De acordo com informações do Unicef, no segundo ano de vida, 500 ml de leite materno fornecem 95% das necessidades de vitamina C, 45% das de vitamina A, 38% de proteína e 31% do total de energia que uma criança precisa diariamente. E, mesmo depois dos 2 anos, o leite materno ainda é uma importante fonte de nutrientes.

2. Saúde
O caráter imunológico da amamentação continua a valer. “O leite materno previne a criança de doenças como infecções gastrointestinais, respiratórias e urinárias, principalmente”, explica a pediatra Silvia Gioielli. Além disso, quando as crianças ficam doentinhas e não querem comer nada, o leite materno oferece nutrição e conforto para que se recuperem mais rapidamente.

3. Segurança
Você pode até ouvir por aí que crianças que mamam após os 2 anos ficam mais dependentes da mãe, mas saiba que isso não é verdade. Uma criança que tem o aconchego da mamada sempre que precisa torna-se mais segura e confiante para desbravar o mundo. “As crianças que conquistam a sua independência em seu próprio ritmo, são mais seguras que as crianças forçadas a isso prematuramente”, tranquiliza a pediatra.

4. Desenvolvimento dos músculos da face
“Mamar no peito é um ótimo exercício da musculatura da face e da boca, o que estimula favoravelmente as funções da respiração e deglutição”, afirma Silvia. Isso não acontece com o uso da mamadeira, pois é justamente o movimento que o bebê faz para ordenhar a mama que favorece o desenvolvimento harmonioso da face e da dentição.

5. Menos chances de alergias
A proteína das fórmulas infantis é derivada do leite de vaca e tem grande potencial de causar alergias. A soja também entra para a lista de alimentos com grande potencial alergênico. Portanto, quanto mais tarde seu filho tiver contato com eles, melhor.

6. Inteligência
Pesquisadores da Escola de Medicina de Christchurch, na Nova Zelândia, conduziram um estudo que mostrou que crianças amamentadas por mais tempo têm melhores resultados na escola. David M. Ferguson e L. Jonh Horwood, autores da pesquisa, defendem a ideia de que as gorduras insaturadas encontradas no leite humano são importantes para o crescimento do cérebro e do sistema nervoso.

7. Vínculo
A amamentação constitui um importante processo de vínculo entre mãe e criança. No caso da amamentação prolongada, esse processo continua a crescer e a criar bases sólidas e importantes para o desenvolvimento do seu filho.

8. Mãe saudável
A amamentação reduz os riscos de câncer de mama (proporcional ao tempo que amamenta), reduz a incidência de osteoporose e diminui riscos de câncer de útero e de ovário.

9. Economia
As vantagens da amamentação prolongada também chegam ao seu bolso, já que você não precisará gastar dinheiro com as fórmulas infantis.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Caso da vida real: A menina na festa

Um dia desses, eu estava em uma aniversário de uma amiga querida. Não era festa infantil, mas existiam algumas crianças. Há casais que levam os filhos a todos os locais, muitas vezes porque não tem com quem deixar, ou são muito próximos da aniversariante, ou talvez achem que a criança pode e deve participar de todos os eventos. 
Enfim, não sei por qual motivo, mas lá pelas 11 da noite percebi uma família que estava em uma mesa próxima, com uma menina lindinha toda de calça de oncinha, fino sapato dourado, tiara de pérolas no cabelo e um total mau humor. A fofinha de uns 3 anos estava obviamente com muito sono, irritada com a roupa e acessórios, e começou a reclamar, chorar e pedir para ir embora. Os pais, ao invés de acolher e ter sensibilidade com a situação, começaram a brigar com a menina, numa clara demonstração de falta de preparo, se importando mais em mostrar a todos que são pais de "pulso firme" do que ter o devido cuidado com a criança. 
Fiquei com muita pena da menina, que mesmo apertada numa roupa quente em um dia quente, não lhe foi dado o direito de tirar a roupa ou sapato, pois a mãe falava em alta voz que ela tinha que sair da festa do modo como entrou. 
Muitas vezes as pessoas esquecem as reais prioridades de uma pequena criança, e interpretam uma situação dessas de forma equivocada.. Cadê o respeito àquela criança de apenas 3 anos? Criança também é gente, merece respeito e dignidade, sem violências verbais ou físicas.
Primeiro: se quer levar filho pequeno para festa, é bom saber que a criança pode se irritar a partir de tal hora por causa do sono e do cansaço. As necessidades de dormir na fase infantil são bem maiores que de um adulto, e a forma como a criança demonstra a irritação é através de choro, birras e por vezes agressividade.
Segundo... se quer continuar na festa após altas horas, depois que "o time já perdeu", custa tirar o excesso de roupas e "penduricalhos" ao final da festa e colocar a pequena no colo?! Afinal, o horário habitual de dormir já passou faz tempo, criança adora e precisa de rotina, a qual foi claramente alterada; e toda criança necessita de afeto e colo dos pais.
Ah, se o nível de irritação da filha estava grande e os pais não conseguiam controlar, que tal levá-la logo para casa para que ela possa repousar? E por último, por que tanta preocupação com que os outros estão pensando?? A filha é sua, faça o melhor pra ela, e não se importe com olhares de reprovação, provavelmente aquelas pessoas nem tem filhos; ou se tem, mal sabem o que é acolher, dar afeto, respeitar a infância,.. e portanto, a opinião delas de nada vale.
Vamos refletir sobre esse velho pensamento sem fundamento de que as crianças são naturalmente teimosas e mimadas, e olhar com mais cuidado para nossas atitudes de pais que deveriam educar, cuidar e orientar essas pequenas pessoas em formação, respondendo às suas necessidades de forma amorosa e compreensiva.



segunda-feira, 10 de março de 2014

Família e Afeto




Trechos de um post interessante que li, e resolvi destacar estas partes:


Por Cintia Liana Reis de Silva – Psicóloga

É necessário respeitar a crianças desde o seu nascimento, dar-lhe um apego seguro, atenção, afeto e disponibilidade incondicionais, encarando de frente as suas necessidades afetivas mais do que as físicas, pois desde cedo é que ela aprende o sentido de respeito e ela só poderá exercitar esse respeito com os outros se se sentiu respeitada, se experimentou na pele essa sensação de ser ouvida e aceita. É preciso estar mais atento para se trabalhar a importância e os conceitos de ética e respeito com os filhos e dar bons exemplos para no futuro termos adultos éticos que ensinar padrões comportamentais artificiais, regras de etiqueta e disciplina.
Mais do que estarem fisicamente juntas, as pessoas estão precisando tratar as suas feridas infantis, cuidar melhor das crianças que são o repositório da raiva e da ignorância de muitos pais, da falta de tempo, da falta de compromisso, de disponibilidade afetiva, que por sua vez trazem suas feridas da infância. Quem se prepara psicologicamente para ter filhos? A família precisa desenvolver mais o diálogo franco para se abrir para a disponibilidade de amar, baixar a guarda, curar essas feridas para deixarem de competir e assim andar numa mesma direção, buscando a  paz e a felicidade de todos. Quando existe investimento no autoconhecimento, diálogo e sinceridade emocional há mais espaço para o amor.
Estamos em pleno século XXI e os pais ainda procuram erradamente o pediatra, que é o médico do corpo físico, para se aconselharem, porém quando os temas são a mente, emoção, comportamento e educação esse pais deveriam procurar o psicólogo de família ou infantil, pois ele é quem está preparado e tem o devido conhecimento para responder às perguntas sobre os temas citados.
Na família acontece de membros que foram todos criados juntos se separem em determinado momento da vida, pois muitas pessoas se separam por divergências, por mágoas, pela mudança do funcionamento da dinâmica familiar, pelo falta de respeito das escolhas dos outros, pela mudanças de perspectivas, pela não aceitação das figuras de autoridade, por competição, pela falta de identificação nesse cenário de mudanças individuais, etc. Tudo o que acontece na adolescência e na fase adulta de cada membro de uma família tem base e encontramos respostas no que cada um viveu em seus primeiros anos de vida. A criança é um cristal de tão delicada, qualquer coisa a abala profundamente e a marca por toda a sua vida.
Precisamos criar a cultura do autoconhecimento e da consulta ao psicólogo. É uma pena, nos tempos de hoje, ainda existir a falta de conhecimento do trabalho tão necessário e fundamental do psicólogo.
Para mostrar para todos a importância de se relevar as diferenças e passar a mensagem da importância da união familiar os pais devem estimular os filhos, desde pequenos, e se valorizarem pelo que têm de positivo, muito mais do que julgarem, criticarem ou apontarem os seu defeitos. Só num ambiente onde foi exercitado muito o respeito, sem comparações, sem jogos, chantagens emocionais ou manipulações é que as pessoas crescerão em harmonia e poderão estar mais unidos em outras fase da vida.



quinta-feira, 6 de março de 2014

Ambiente familiar de agressão e problemas psiquiátricos




Crescer em ambiente familiar de agressão pode aumentar problemas psiquiátricos na vida adulta

As chamadas "famílias disfuncionais" causam uma série de danos emocionais desde a infância

Por Especialista - publicado em 28/01/2014
Escrito por: Pérsio Gomes de Deus
Psiquiatria 
Especialista Minha Vida


 
A família é quem cria, já diz o ditado. Mas muitas vezes o ambiente de criação pode trazer problemas. Vide o personagem Félix (Matheus Solano), da novela Amor à Vida (no ar às 21h na Rede Globo). O rapaz, que é homossexual, sempre sofreu preconceito do pai César (Antônio Fagundes), que queria que ele fosse o típico "machão". Por isso, ele nunca recebeu amor ou atenção da figura paterna, se sentindo não amado. As falhas de caráter que o personagem apresenta ao longo da trama também estão relacionadas com a sua vivência em meio a uma família disfuncional, aquela que transmite um ambiente egoísta, de desamor e pouco solidário aos filhos.  
Os estudos e nossa experiência clínica mostram que as consequências das agressões verbais em crianças ou mesmo em adolescentes são extremamente danosas e causam prejuízos em geral pelo resto da vida dos indivíduos, independente de haver uma predisposição hereditária.

Deve-se lembrar que da mesma forma que a criança está construindo seus músculos e ossos, ela também está construindo também sua psiquê: isso envolve noções de autoestima, autoimagem, amor próprio entre outras funções psíquicas. 
Para se ter uma ideia, existem três situações de violência ou agressão psicológica:          
  • Agressões verbais através de insultos, desvalorizações constantes, humilhações frente a outras pessoas - estas humilhações podem se referir a aspectos físicos ou intectuais, que gradativamente destroem a autoestima das crianças
  • Situações de desprezo, indiferença e de abandono também podem ser entendidas como situações de agressão. A criança ignorada pelos pais apresenta um sentimento de abandono
  • Existe uma terceira forma mais difícil de ser identificada - a chantagem emocional - na realidade atrás de uma "pseudo-doçura" há sempre uma grande cobrança e a colocação de um sentimento de culpa.

Que problemas psiquiátricos podem ser causados por essa violência?

Existem diversos transtornos, além dos depressivos, que podem ser desencadeados pelas agressões verbais: 
  • Perturbações intelectuais e da memória, como pesadelos, confusão, dificuldades de concentração e de memorização, autoimagem negativa, sentimento de inferioridade
  • Perturbações relacionais: a vergonha, o isolamento (mesmo dos seus familiares e amigos mais próximos), a auto-culpabilização, a desvalorização de si, a falta de confiança e sentimentos de impotência
  • Distúrbios de ansiedade: podem surgir quadros como hipervigilância, medo, fobias e ataques de pânico, perturbações do sono, desordens da alimentação e disfunções sexuais
  • Aprendizagem do comportamento agressivo: estima-se que filhos de casais violentos têm 2 ou 4 vezes mais probabilidades de apresentarem problemas comportamentais
  • Entre outros: há grande possibilidade de futuras dificuldades de adequação de comportamento nas relações de intimidade e maior dificuldade de integração social, além de sentimentos ambivalentes para com os pais.
O sentimento se experimenta é o de uma violência real, porque isso esmaga a criança, que não compreende adequadamente a razão da agressão. Ela ainda não tem a área da lógica no cérebro suficientemente desenvolvida para lidar com esta situação. Toda a agressão é vivida ou codificada principalmente sob a ótica dos afetos. Isto faz com que se sinta rejeitada e não consiga encontrar seu lugar na família, nem organizar seus pensamentos: sente-se confusa, perdida, só. 
Não consegue reagir. Como agredir aqueles que ama? Então a agressão fica guardada dentro dela, voltando-se contra ela própria, "internalizada". Está montada a "base" da depressão

A questão da família disfuncional

Temos um termo para denominar os comportamentos familiares inadequados e chamamos de famílias disfuncionais: aquelas que por suas alterações dinâmicas os papéis familiares são confusos ou não definidos. 
Devido a esse "caos" familiar, basicamente não conseguem cumprir o papel de transmitir afeto, valores éticos e morais. Antes disso, transmitem um ambiente cheio de conflitos, individualista, pouco solidário e principalmente egoísta. Neste caso os filhos preferem estar na rua ou em outros ambientes em lugar do ambiente familiar. 
Em diversos casos a responsabilidade da desestruturação da família no mundo moderno é a própria situação de "economia de mercado" que impõe um ritmo frenético de trabalho às pessoas, que muitos familiares, mesmo tendo afeto uns pelos outros, raramente se encontram. Alguns comportamentos pontuais que podem também trazer problemas às crianças: 
  • Falta de demonstração de afeto e respeito
  • Uso de álcool ou drogas ou medicamentos
  • Duplas mensagens causando a ambivalência
  • Críticas não necessariamente construtivas
  • Rejeição aos amigos dos filhos
  • Regras e normas rígidas em excesso
  • Muitas cobranças e autoritarismo excessivo
  • Conflitos e discussões familiares.

Uma família estável pode prevenir problemas psiquiátricos?

A família é um microsistema social responsável pela transmissão de valores, crenças, ideias e significados que estão presentes nas sociedades. Ela tem, portanto, uma importância única na formação das criança que aprendem as diferentes formas de existir, de construir suas relações sociais e a maneira como veem o mundo. 
As primeiras trocas afetivas ocorrem ainda na fase intrauterina, mas o relacionamento mãe-bebê será um dos períodos de maior importância para o desenvolvimento afetivo do futuro adulto. Bebês que são privados deste contato inicial com a mãe biológica carregarão um vazio afetivo pelo resto de suas vidas. 
Na criança pequena já podemos observar a necessidade de afeto que possuem, manifestada em diversos comportamentos. Se esta criança crescer em meio a uma família equilibrada, ou como normalmente chamamos "famílias funcionais", onde a educação é veiculada através do amor (não só comunicado, mas acima de tudo vivenciado), as necessidades afetivas terão neste cenário familiar uma grande chance de serem resolvidas. Esta criança estará mais preparada para outras etapas do desenvolvimento onde o cenário se ampliará: escola, amiguinhos, parentes, namoros, trabalhos. 
Em contraponto, me vem à memória um hábito praticado em muitas famílias de nosso país, mais comum nas do interior. Lembro-me das conversas, dos "causos" contados à beira do fogão de lenha na casa de minha avó no interior de Minas Gerais. Histórias, lembranças, ideias, brincadeiras, emoções: o compartilhamento de vivências num ambiente descontraído, espontâneo, onde ocorria simultaneamente o descanso do dia de trabalho no campo e o enriquecimento pessoal e coletivo na tradição oral da reafirmação de valores e da unidade familiar. O mais gostoso era a conversa, cada familiar chegando e já contando "as suas". O "jogar conversa fora" era uma forma de lazer simples, e em sua simplicidade, extremamente rico, pois essas conversas ficaram "dentro de nós" forjando nossos valores para sempre, bem como as lembranças daqueles sabores e aromas. Tempos bons, tempos de jantares em família. 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Como ter um filho folgado

Li esse post no blog http://ensineseubebe.blogspot.com.br/, e achei interessante.  

Compartilho com vocês, e vejam se faz sentido...


Você é daqueles  que sonham  em ter um filho preguiçoso, mas não sabe como?  Não se preocupe, é mais fácil do que imagina. Na maioria dos casos, basta seguir suas inclinações naturais. Preste atenção:

Passo 1Jamais aceite ajuda do seu filho

 Recuse sua ajuda nas tarefas domésticas. Quando ele pegar uma vassoura, todo solícito, para limpar aquelas migalhinhas no chão, reaja com indignação,  tome os utensílios das mãos dele e diga : "Caramba, desse jeito você vai espalhar ainda mais a sujeira! Me dê a vassoura, eu mesmo limpo isso!" .
Deixe claro que ele realmente não pode fazer nada de útil para ajudá-lo. Dispense toda e qualquer solicitude nesse sentido.
E não esqueça de dizer sempre: "Você não sabe fazer direito! Só  me atrapalha!"

Passo 2:  Faça por seu filho o que ele já pode fazer por si mesmo.

E daí se ele já sabe amarrar os cadarços? E daí se ele  tem coordenação motora para segurar uma colher? Amarre os cadarços e dê comida na boca  do coitadinho. Você faz mais rápido e melhor. E ainda tem uma vantagem: com você não tem lambança na hora do papá. Lembre-se: a vida já é muito corrida. Não dá pra perder tempo ensinando o pequeno a comer sozinho, a guardar os brinquedos e tirar o próprio prato da mesa.  Então faça tudo por ele, colega!

Passo 3 - Destrua a iniciativa e a autoconfiança

Faça  as tarefas escolares e monte quebra-cabeças por ele.
Entregue logo as respostas de bandeja pro menino! Dite as redações e histórias que ele tem de escrever. E determine até como ele tem de brincar com seus brinquedos: "Não, Pedro. Esse brinquedo não é para empilhar. É para fazer assim, ó". Agora além de ter preguiça de agir, ele também terá preguiça de pensar.
Agindo assim você vai criar um tremendo acomodado. E como sabemos, acomodação não combina com genialidade. Gênios vão à luta e não desistem. Fazem muitas perguntas e perseguem incansavelmente as respostas. Mas você não ia querer um filho assim, não é?

Moral: Seu filho é seu tesouro. Poupe-o de toda e qualquer responsabilidade. Assim, quando a adolescência chegar,  ele fará exatamente aquilo que foi treinado a fazer: nada.


E aí, faz sentido? Claro que o tom irônico e rígido foi proposital, mas talvez necessário para a reflexão a que se propõe. De fato, nós pais devemos ter tempo, paciência e sensibilidade para educar, orientar, e ajudar nossos filhos a se desenvolveram de forma equilibrada. Sempre com amor e cuidado, respeitando as fases da infância, sem impor independência forçada antes do tempo, cuidando para não exigir comportamentos incompatíveis com a idade e maturidade da criança. O que o autor do post vem criticar são os pais excessivamente controladores, inseguros, impacientes que barram ou dificultam o desenvolvimento saudável dos filhos. A consequência lógica seria o surgimento de futuros folgados; ou melhor, adolescentes/adultos pouco preparados para a vida aí fora, pois não foram treinados para isso.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Fases de crescimento e desenvolvimento que modificam o sono do bebê e da criança

Artigo do site:
http://guiadobebe.uol.com.br/fases-de-crescimento-e-desenvolvimento-que-modificam-o-sono-do-bebe-e-da-crianca/

O desenvolvimento e o crescimento do bebê no primeiro ano e além podem provocar alterações no seu sono. Veja como saltos de desenvolvimento, picos de crescimento e angústia de separação podem interferir no sono.
O primeiro ano da criança é uma fase de mudanças extraordinárias para toda a família. Esse período é excitante e desafiador, quando bebês aprendem a comunicar suas necessidades e pais aprendem como atendê-las.
Você pode pensar que o desenvolvimento do seu bebê (como aprender a rolar, engatinhar e andar) e seu crescimento não tem nada a ver com o sono, mas a verdade é que caminham juntos! Abaixo uma descrição dos fenômenos chamados saltos de desenvolvimento, picos de crescimento e angústia de separação.

Saltos de desenvolvimento

Saltos de desenvolvimento são aquisições de habilidades funcionais específicas que ocorrem em determinados períodos. O ritmo de desenvolvimento não é constante: há alguns períodos de desenvolvimento acelerado e outros onde há uma desaceleração.
Toda vez que seu bebê desenvolve uma nova habilidade, ele fica tão excitado e obcecado com a conquista que a quer praticar o tempo todo, inclusive durante o sono. Em outras palavras, um dos ‘efeitos colaterais’ desse trabalho todo que o cérebro dos bebês está fazendo é que eles não dormem tão bem quanto o fazem em períodos que não estão trabalhando em dominar uma nova habilidade. Eles podem até resistir às rotinas já estabelecidas.
No período que imediatamente antecede o chamado salto de desenvolvimento, o bebê repentinamente pode se sentir perdido no mundo, pois seus sistemas perceptivo e cognitivo mudaram, houve uma maturidade neurológica, mas não tempo hábil para adaptação às mudanças. Então o mundo lhe parece estranho, e o resultado da ansiedade gerada é geralmente desejar voltar para sua base, ao que já lhe é conhecido, ou seja, a mamãe! Em vista disso, é comum ficarem mais carentes, precisando de mais colo, e com frequência há também alterações em seu apetite e sono.
Então, nessas fases, é preciso apenas ter um pouco de paciência e empatia com o bebê - depois do processo de aquisição da nova habilidade (como rir, engatinhar, sentar, interagir, andar) o bebê dá um salto no desenvolvimento e demonstra felicidade com o final da ‘crise’. Ou seja, por um lado, o bebê fica feliz com a nova habilidade e independência que vem junto, e já é capaz de se afastar um pouco da mamãe. Por outro lado, sente angústias e receios com essa nova situação. Isso lhe traz sentimentos dúbios: é como uma ‘dança louca’ entre separação e apego, onde o bebê irá flutuar entre os dois por um período.
A duração de cada salto é variável, mas geralmente depois de algumas semanas a fase difícil passa e tudo volta à normalidade. Bebês e crianças precisam de cuidados amorosos, empatia e novas experiências, e não de brinquedos caros. Fale com seu bebê, cante, brinque com ele, leia para ele. São atividades chave para o desenvolvimento do cérebro. Os saltos no desenvolvimento não cessam na infância, mas continuam até a adolescência. (1-2).
Essas aquisições ocorrem em vários aspectos: desenvolvimento motor (aprender a usar grupos de músculos para sentar, andar, correr, ter equilíbrio corporal, mudar de posições e outros), desenvolvimento do controle motor fino (usar as mãos para comer, desenhar, se vestir, tocar um instrumento, escrever, e tantas outras coisas), linguagem (desenvolvimento da fala, uso de linguagem corporal e gestos, comunicação e entendimento do que outros dizem), desenvolvimento cognitivo [nos dois primeiros anos de acordo com Piaget ocorre o desenvolvimento sensório-motor, que inclui habilidades de pensamento como aprendizado, entendimentos, resolução de problemas, raciocínio e memória (3)] e desenvolvimento social (interagir e se relacionar com familiares, amigos e professores, mostrar cooperação e empatia).
Certa variação entre crianças é esperada, mas uma cronologia observada experimentalmente dos períodos de saltos de desenvolvimento é a seguinte:
- 5 semanas (1 mês): a visão do bebê melhora, ele consegue ver padrões em branco e preto, passa a se interessar mais pelo ambiente que o rodeia e consegue seguir objetos brevemente com os olhos. Passa ficar acordado por períodos um pouco maiores (cerca de 1 hora ou pouco mais entre as sonecas). É também nessa época que bebê começa a chorar com lágrimas e sorrir pela primeira vez ou com mais frequência do que antes.
- 8 semanas (quase 2 meses): diferenças nos sons, cheiros e sabores ficam mais perceptíveis. Ele percebe que as mãos e os pés pertencem ao corpo e começa a tentar controlar estes membros. O bebê começa também a experimentar com sua voz. É também nessa fase que o bebê começa a mostrar um pouco de sua personalidade: é agora que os pais começam a reparar quais coisas, cores e sons o bebê gosta mais. Depois desse salto o bebê vai poder virar a cabeça na direção de algo interessante e emitir sons conscientemente. Todas essas novas experiências trazem insegurança ao bebê que provavelmente procura mais o conforto do peito da mãe. Isso pode deixar a mãe preocupada se produz leite materno suficiente, o que não procede, já que a produção se ajusta à demanda (ver abaixo também sobre picos de crescimento).
- 12 semanas (quase 3 meses): o bebê descobre mais nuances da vida: nessa idade o bebê já pode enxergar todo um cômodo da casa, vira-se quando ouve sons altos, e consegue juntar suas mãos. Vai observar e mexer no rosto e cabelo dos pais e vai perceber que pode gritar. Depois do salto o bebê praticamente não vai mais precisar de apoio para manter a cabeça erguida. Como nos outros saltos, os pais são o porto seguro do mundo do bebê e ele se apoia nisso. Ele pode começar a reagir de maneira diferente fora de casa ou no colo de um estranho. Ao mesmo tempo que o bebê tem uma grande curiosidade em reparar no mundo que o rodeia, ele também é muito sensível às novidades e por isso se sente mais confortável e seguro nos braços dos pais.
- 19 semanas (4 meses e meio): por volta da 14ª. até a 17ª. semanas o bebê pode parecer mais ‘impaciente’. Esse é um dos saltos mais longos: dura cerca de 4 semanas, podendo porém se estender por até 6 semanas. O bebê chora mais, apresenta mudanças extremas de temperamento e quer mais atenção e colo. Consegue alcançar e pegar um brinquedo, sacudi-lo e colocá-lo na boca, passá-lo de uma mão para outra. Pode ganhar o primeiro dente. Os sons que o bebê emite se tornam mais nítidos e complexos, consegue fazer alguns sons como ‘baba’, ‘dada’. Tudo cheira, soa e tem gosto diferente agora. Dorme menos. Estranha as pessoas e busca maior contato corporal quando está sendo amamentado. Depois desse salto o bebê vai poder virar de costas e de barriga para baixo, e vice-versa, se arrastar pra frente ou pra trás, olhar atentamente para imagens num livro; reagir ao ver seu reflexo no espelho e reconhecer seu próprio nome.
Esse é um dos saltos de desenvolvimento mais significativos e em que um maior número de mães costuma relatar alterações no sono. Provavelmente porque o padrão de sono parecia entrar num ritmo desde que o bebê nasceu, e essa alteração é vista como uma ‘regressão’, na qual o bebê tende a acordar bastante por algumas semanas enquanto está trabalhando no salto. E uma vez que esse salto está completo há somente 1 ou 2 semanas antes de começar a trabalhar no próximo (das 26 semanas), é um longo período de sono ruim e bebê irritado nesse estágio da vida.
- 26 semanas (6 meses): Já na 23ª semana o bebê parece se tornar mais ‘difícil’. Ele busca maior contato corporal durante as brincadeiras. O bebê já consegue coordenar os movimentos dos braços e pernas com o resto do corpo. Senta sem apoio e põe objetos na boca. Nessa idade ele começa a entender que as coisas podem ficar dentro, fora, em cima, embaixo, atrás, na frente, e usa isso em suas brincadeiras. Ele passa a entender que quando a mamãe anda, ela vai se afastar e isso o assusta, então reclama quando a mãe sai de perto. Depois desse salto o bebê vai ficar interessado em explorar a casa, armários, gavetas, achar etiquetas, levantar tapetes para olhar o que tem embaixo. Ele se vira para prestar atenção nas vozes, consegue imitar alguns sons, rola bem em ambas direções e começa a se apoiar em algo para ficar de pé. Adquire maturidade para receber alimentos sólidos. Essa fase pode durar cerca de 4-5 semanas.
- 30 semanas (7 meses): o bebê tenta se jogar adiante para alcançar objetos, bate um objeto em outro. Pode começar a engatinhar, a falar algumas sílabas e entende melhor o conceito de permanência das coisas. Pode fazer sinal de tchau. Sente ansiedade com estranhos.
- 37 semanas (8 meses e meio): o bebê fica ‘temperamental’, tem mudanças frequentes em seu humor, de alegre para agressivo e vice-versa, ou de exageradamente amoroso para ataques de raiva em questão de momentos. Chora com mais frequência. Quer ter mais atividades e protesta se não as tem! Não quer que troquem sua fralda, chupa seus dedos. Protesta quando o contato corporal é interrompido. Dorme menos, tem menos apetite, movimenta-se menos e “fala” menos. Às vezes senta-se quieto e sonha acordado. O bebê agora começa a explorar as coisas de uma forma mais metódica. Passa a entender que as coisas podem ser classificadas, por exemplo, sabe o que é comida e o que é animal, seja ao vivo ou em um livro. Fala "mamá" e"papá" sem distinção de quem é a mãe ou o pai. Engatinha, aponta objetos, procura objetos escondidos, usa o polegar e dedo indicador para segurar objetos.
- 46 semanas (quase 11 meses): o bebê percebe que existe uma ordem nas coisas e atitudes, por exemplo, que se colocam sapatos nos pés e brinquedos nos armários. Ganha então uma consciência de suas próprias atitudes. Ao invés de separar objetos, passa a juntá-los. Depois desse salto o bebê vai poder apontar para algo ou pessoa a pedido seu, vai querer ‘falar’ no telefone e enfiar chaves nos buracos de chave, procurar algo que você escondeu, tentar tirar a própria roupa. Fala "mamá" e "papá" para a mãe ou pai corretamente. Levanta-se por alguns segundos, movimenta-se mais, entende o "não" e instruções simples.
- 55 semanas (quase 13 meses): geralmente a fase em que o bebê começa a andar - um salto no desenvolvimento bem significativo. Fala mais palavras do que "mama" e "papa". Rabisca com giz.
- 64 semanas (quase 15 meses): o bebê combina palavras e gestos para expressar o que precisa, come com as mãos, esvazia recipientes, coloca tampas nos recipientes apropriados, imita as pessoas, explora tudo que estiver à sua frente, inicia jogos, aponta partes do corpo quando perguntado, responde a algumas instruções (por exemplo, “me dá um beijo”), usa colher e garfo, empurra e puxa brinquedos enquanto anda, joga bola, anda de marcha a ré.
- 75 semanas (17 meses): o bebê usa cerca de 6 palavras regularmente, gosta de jogos de imitação, gosta de esconder brinquedos, alimenta uma boneca, joga bola, dança, separa brinquedos por cor, formato e tamanho. Olha livros sozinho e rabisca bem.

Picos de crescimento

Picos de crescimento são fenômenos que se referem ao crescimento do bebê em si, e não ao seu desenvolvimento. Nos períodos de picos os bebês começam a solicitar mais mamadas do que o usual, pois precisam de mais alimento para crescer nesse ritmo agora mais acelerado. Então o bebê que dormia longos períodos à noite pode começar a acordar mais e solicitar mais mamadas. Esta necessidade geralmente dura de poucos dias a uma semana, seguido de um retorno ao padrão menor de mamadas, mas agora com o organismo da mãe adaptado a produzir mais leite.
É muito importante respeitar a demanda aumentada de mamadas, pois somente com a livre demanda é que a produção de leite materno se ajusta perfeitamente às necessidades do bebê.
Nesses períodos a mãe pode interpretar incorretamente a maior demanda de mamadas do bebê - ela pode achar que seu leite não está sendo suficiente, ou que está ‘fraco’ e pensar que a solução para a situação é oferecer complemento de leite artificial. Porém, é um erro oferecer mamadeiras com leite artificial nesses períodos, pois isso prejudica o equilíbrio perfeito da natureza de produzir o leite conforme a demanda de mamadas. Em outras palavras, ao dar leite artificial perde-se um estímulo poderoso no peito, o organismo assim entende que não precisa daquela mamada, e passa a produzir menos e não mais como é necessário!
Períodos comuns dos picos de crescimento ocorrem por volta dos 7-10 dias, 2-3 semanas, 4-6 semanas, 3 meses, 4 meses, 6 meses e 9 meses e além. Os picos continuando acontecendo no decorrer do crescimento da criança, incluindo a adolescência, momento em que mudanças físicas e emocionais são mais notáveis.

Dra. Jeny Thomas, médica e consultora de amamentação, afiliada a Associação Americana de Pediatria e a Academia de Medicina da Amamentação reflete sobre acreditar na capacidade de amamentar o bebê:
"A maioria das mulheres não acredita que seu corpo que gerou esse lindo bebê seja capaz de amamentar o mesmo bebê. As pesquisas mostram que uso de complemento e desmame precoces estão aumentando. Por que não acreditamos no nosso corpo no pós-parto? Não sei. Mas ouço todos os dias que a mãe está complementando porque "meu leite não o satisfaz, não é suficiente." Claro que é. Bebês precisam mamar o tempo todo- e precisam estar contigo o tempo todo. Essa é sua satisfação máxima.
Um bebê mamando no peito de sua mãe está obtendo componentes para desenvolvimento de seu sistema imune, ativando seu timo, se aquecendo, se sentindo quentinho e confortável, seguro de predadores, tendo padrões de sono normais e ativando seu cérebro (ah, e inclusive) adquirindo alimento para esses processos. Eles não estão somente "famintos" – eles estão obedecendo seus instintos de sobrevivência." (4)

Ansiedade de separação

A partir de 6 a 8 meses, em média, o bebê começar a perceber que é um indivíduo separado da mãe. Essa descoberta lhe traz angústia e pânico, então ele tende a solicitar muita atenção da mãe e pode chorar mais que o usual. Essa fase se completa num longo processo que continua a se manifestar de uma forma ou outra até os dois a três anos, ou até os cinco anos, de acordo com outros especialistas.
É preciso levar a sério a intensidade dos seus sentimentos. O bebê não está “chatinho”, “grudento” nem “manhoso”. Como a mãe é o seu mundo e representa sua segurança, e como a noção de permanência (ou seja, tudo que está longe do campo de visão) não está completamente estabelecida, essa angústia é muito acentuada. A maioria das conexões nervosas no cérebro são feitas na infância e a maneira com que lidamos com as emoções do bebê tem um efeito profundo em como essas conexões se refletirão na capacidade do bebê lidar com suas próprias emoções quando for adulto. Em outras palavras, experiências na primeira infância e interação com o ambiente são as partes mais críticas no desenvolvimento do cérebro da criança. (5)
O sistema de angústia da separação, localizado no cérebro inferior, está geneticamente programado para ser hipersensível. Nos primeiros estágios da evolução humana era muito perigoso que o bebê estivesse longe da sua mãe. Se não chorasse para alertar seus pais do seu paradeiro, não conseguiria sobreviver.
Então, quando o bebê sofre pela ausência dos seus pais, no seu cérebro ativam-se as mesmas zonas que quando sofre uma dor física. Ou seja, a linguagem da perda é idêntica à linguagem da dor. Não tem sentido aliviar as dores físicas, como um corte no joelho, e não consolar as dores emocionais, como a angústia da separação. Mas, infelizmente, é isso o que fazem muitos pais, por não conseguirem aceitar que a dor emocional de seu filho é tão real como a física. Essa é uma verdade neurobiológica que todos deveríamos respeitar.
O desenvolvimento dos lóbulos frontais inibe naturalmente esse sistema de angústia de separação.
É importante entender que o período "crítico" de desenvolvimento emocional e social ocorre nos primeiros 18 meses da criança. A parte do cérebro que regula as emoções, a amídala, é formada cedo de acordo com as experiências que o cérebro recebe. O desenvolvimento de um vínculo emocional, empatia e confiança, e todos os aspectos da inteligência emocional fornecem o fundamento para desenvolvimento de outros aspectos emocionais conforme a criança cresce. Então, nutrir emocionalmente e responsivamente o bebê é importante para que a criança aprenda empatia, felicidade, otimismo e resiliência na vida.
O desenvolvimento social, que envolve auto-consciência e capacidade da criança de interagir com outros, também ocorre em etapas. Por exemplo, compartilhar brinquedos é algo que um cérebro de uma criança de 2 anos não está completamente desenvolvido para fazer bem! Então não se zangue com seu filho menor de 2 anos que não quer dividir os brinquedos. Esta capacidade social é mais comum e positiva em crianças maiores de 3 anos.(6)
Então, se se a mãe tiver que se afastar do filho pequeno para trabalhar ou por outro motivo, muito carinho, conversa, paciência e coerência nas atitudes são necessários para que ele continue tendo confiança nela e supere esse período de crise. É também muito importante certificar-se que o bebê criou um vínculo afetivo com o outro cuidador. (7)
Alguns estudos detectaram alterações a longo prazo do eixo Hipotálamo-Hipófise- Adrenal do cérebro infantil devido a separações curtas, quando a criança fica aos cuidados de uma pessoa desconhecida. Esse sistema de resposta ao estresse é fundamental para nossa capacidade de enfrentar bem o estresse na vida adulta é muito vulnerável aos efeitos adversos do estresse prematuro. (8)
Algumas pessoas justificam sua decisão de deixar o bebê desconsolado como uma forma de “inoculação de estresse”, o que significa apresentar ao bebê situações moderadamente estressantes para que aprenda a lidar com a tensão. Aqueles que afirmam que os bebês que choram por um prolongado período de tempo só sofre um estresse moderado estão enganando a si mesmos, pois livrar-se do bebê ou não consolá-lo (durante o dia ou a noite, quando choram ou pedem mais mamadas ou colo do que o usual) pode resultar em efeitos adversos permanentes no cérebro da criança. Ela pode sentir pânico, o que significa um aumento importante e perigoso das substâncias estressantes no seu cérebro, podendo resultar em uma hipersensibilização do seu sistema de medo, o que lhe afetará na sua vida adulta, causando fobias, obsessões ou comportamentos de isolamento temeroso. (9).
Algumas idéias práticas para reduzir a Angústia de Separação no seu bebê estão no artigo prévio sobre retorno ao trabalho e sono do bebê (link: http://guiadobebe.uol.com.br/retorno-ao-trabalho-e-o-sono-do-bebe-como-fica/), como praticar separações rápidas e diárias, evitar a transferência de colo para colo e entender a ansiedade de separação como um sinal positivo.
Além disso, nessa fase, procure passar todo tempo possível com seu bebê, principalmente se trabalha fora. Separe os momentos logo após o reencontro do dia de trabalho para ter dedicação exclusiva a ele. Sente confortavelmente, faça contato olho no olho, amamente, interaja com seu bebê. Você pode estar cansada e estressada depois da longa jornada de trabalho, mas se conseguir um pouco de energia para receber seu bebê com alegria, você também se sentirá melhor após alguns minutos de uma reconexão significativa. Somente depois pense no jantar, no banho e outros afazeres. Considere promover proximidade na hora de dormir se suspeita que o bebê tem acordado mais a noite por estar passando por um pico de ansiedade de separação.

Outras mudanças

Alguns acontecimentos, como o nascimento de um irmãozinho/a, introdução de alimentos novos (veja dicas de alimentação que promove o sono no artigo -link: http://guiadobebe.uol.com.br/comer-bem-para-dormir-bem/), o retorno da mãe ao trabalho e entrada em creche (veja o artigo prévio sobre esse tema - link: http://guiadobebe.uol.com.br/retorno-ao-trabalho-e-o-sono-do-bebe-como-fica/), viagens, doenças, separação dos pais, atritos com coleguinhas, ausência de um ente querido e outros podem interferir no sono da criança. Tenha muita paciência e ofereça-lhe sempre segurança, assim, gradualmente, a rotina pode ser restabelecida.

Resumindo

Saltos de desenvolvimento e picos de crescimento são eventos diferentes e sua cronologia não se sobrepõe perfeitamente, embora possam ocorrer concomitantemente.
Picos de crescimento tem a ver com alimentação (o bebê quer comer mais, inclusive a noite!) e os saltos tem a ver com desenvolvimento (o bebê pode querer comer e dormir menos).
A angústia de separação é uma fase muito crítica, talvez a mais crítica no desenvolvimento do ser humano. A partir do momento que bebês tomam ciência do mundo ao seu redor eles começam a formar relações importantes com as pessoas em suas vidas, aprendem rapidamente que certas pessoas são vitais para sua felicidade e sobrevivência, e sofrem angústias quando essas pessoas aparecerem e desaparecerem. Isso tem influência direto no seu sono, principalmente se a mãe retorna ao trabalho ou promove um desmame (ou outro tipo de separação) quando o bebê está passando pela ansiedade de separação.
Todos os fenômenos são importantes e podem alterar o sono do bebê. Mas é confortante saber que carinho, apoio, amor, colo, empatia e amamentação em livre demanda, independente da fase que se encontra, é o que o bebê precisa.

UM PLÁ SOBRE PICOS DE CRESCIMENTO
Afinal, o que significa "Growth Spurt"?
Poderíamos traduzir (não literalmente) como PICO DE CRESCIMENTO.


Bebê mamando

É um fenômeno que ocorre nos bebês e, no qual, estes solicitam mais mamadas do que de costume. Estas necessidades geralmente duram de poucos dias a uma semana, seguido de um retorno ao padrão menor de mamadas.
A mãe costuma sentir como se não desse conta de produzir leite em quantidade suficiente para o Bebê.
Períodos comuns destes "picos de crescimento" ocorrem por volta dos:
7 - 10 dias;
2 - 3 semanas;
4 - 6 semanas;
3 meses;
4 meses;
6 meses;
9 meses (em torno)
Os picos de crescimento não param no primeiro ano. Podem ocorrer no decorrer do crescimento da criança, incluindo, por exemplo, a adolescência.
Quanto mais o bebê mamar = mais leite produzirá no seio.
Estimule ambos os lados, esvaziando um lado para que depois passe pro outro seio.
Confie em sua produção. Seios murchos não significam menos leite.
Boa parte do leite é produzido na hora da mamada.
É normal, durante o pico de crescimento, que o bebê mame HORAS seguidas.

UM PLÁ SOBRE SALTO DE DESENVOLVIMENTO
Bebês não se desenvolvem em um ritmo constante, e sim irregular.



Bebê pedindo colo

No período que imediatamente antecede um salto de desenvolvimento o bebê repentinamente pode se sentir disperso à mudanças nos sistemas perceptivo e cognitivo que não foram adaptadas ainda no organismo.
Então na tentativa de readaptação, o bebê volta à base, ou seja, à mãe, o que reflete-se em períodos de maior carência afetiva, pedem mais colo, e com frequência afetam o sono e apetite.
Depois de algumas semanas essa fase difícil é superada, e o bebê demonstra ter habilidades novas.

Uma Cronologia aproximada dos períodos de crise é:
- 5 semanas / 1 mês
- 8 semanas / quase 2 meses
- 12 semanas / quase 3 meses
- 19 semanas / 4 meses e meio
- 26 semanas / 6 meses
- 30 semanas / 7 meses
- 37 semanas / 8 meses e meio
- 46 semanas / quase 11 meses
- 55 semanas / quase 13 meses
- 64 semanas / quase 15 meses
- 75 semanas / 17 meses

Nesse período, é esperado que o bebê:

- Procure ficar mais perto da MÃE, ou seja sua base de tudo, pois é o que ele conhece melhor;
- Fique mais carente, precisando de colo, segurança e orientação maternal de perto;
- Coma mal e durma pior;
- Pode pedir para mamar com mais frequência;
- Comece a fazer coisas que não fazia antes da crise tal como rir, sentar, engatinhar, interagir...
- Demonstre felicidade com o final da crise e superação do desenvolvimento adquirido.
Essa fase difícil passa, e tudo volta a normalidade, na mesma naturalidade que iniciou.
Então, durante as crises, é só ter um pouco de paciência, carinho, cumplicidade... que logo logo passa...

Fonte: Referência 1
Edição por Andreia Mortensen e Anna Arena - GVA

Referências:

1- Hetty van de rijt, Frans Plooij. The Wonder Weeks. How to stimulate your baby's mental development and help him turn his 8 predictable, great, fussy phases into magical leaps forward. Kiddy World Promotions B.V. 2010.
2- Lopes, R.M. F., Nascimento, R.F.L.; Souza, S. G.; Mallet, L. G.; Argimon, I.I.L. Desenvolvimento Cognitivo e motor de crianças de zero a quinze meses: um estudo de revisão. 2010.
http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/A0529.pdf
3- Piaget, J. & Inhelder, B. The Psychology of the Child. New York: Basic Books. 1962.
4- Thomas J., The Normal Newborn and Why Breastmilk is Not Just Food. Retirado do website da pediatra e consultora de amamentação. 2010.
http://www.drjen4kids.com/soap%20box/normal_%20newborn.htm
5- Gopnik, A., Meltzoff, A.N., and Kuhl, P.K. The Scientist in the Crib: Minds, Brains, and How Children Learn. New York: William Morrow & Co. Inc. 1999
6- Shore, R. Rethinking the Brain: New Insights into Early Development. New York: Families and Work Institute. 1997
7- Margot Sunderland. The Science of Parenting. DK Publishing Inc. 2006.
8- Brummelte S, Grunau RE, Zaidman-Zait A, Weinberg J, Nordstokke D, Cepeda IL. Cortisol levels in relation to maternal interaction and child internalizing behavior in preterm and full-term children at 18 months corrected age. Dev Psychobiol. 2010 Oct 28.
9- Pantley. E. No-Cry Separation Anxiety Solution: Gentle Ways to Make Good-Bye Easy from Six Months to Six Years. McGraw-Hill, 2010.


Dra. Andréia C. K. Mortensen
Neurocientista